Terça, 16 Outubro 2018 13:39

Diocese de Sobral se despede de Pe. Mesquita em Cariré

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Igreja Matriz de Santo Antônio de Pádua recebeu familiares, amigos e presbíteros para junto com o bispo diocesano despedirem-se do pastor que devotou sua missão á luta das ovelhas pobres e desfavorecidas Da letra da música ressoava o refrão: “Pai nosso, dos pobres marginalizados. Pai nosso, dos mártires, dos torturados”. As pessoas chegavam quietas, direcionando o olhar para uma triste movimentação próxima ao altar. Na esperança daquela cena ser apenas um sonho ruim, a emoção saltava aos olhos quando percebiam que havia mesmo um caixão, e dentro dele, o corpo de Pe. João Batista de Sousa Mesquita descansava de todo amor e dedicação que dedicara à sua missão na terra. A missa de corpo presente de Pe. Mesquita foi presidida pelo bispo da Diocese de Sobral Dom José Luiz Gomes de Vasconcelos na manhã da segunda-feira (08) na Igreja Matriz de Santo Antônio de Pádua em Cariré, terra onde o sacerdote nasceu e se ordenou. Familiares, amigos e 29 presbíteros compareceram ao ato de despedida e esperança do ser humano que dedicou sua vida ao Reino de Deus e às lutas sociais pelos direitos dos mais pobres e necessitados. “Para os que creem a vida não é tirada, é transformada”, introduziu Dom Vasconcelos ao prestar suas condolências aos familiares de Pe. Mesquita presentes e acolher o clero diocesano, no meio do qual “ele foi e continuará sendo querido”, enfatiza o bispo. O significado da Eucaristia deu início à homilia: “É um momento de ação de graças, e estamos aqui para celebrar a vida do homem que consagrado por Deus, devotou sua missão aos pobres, aos mais sofridos e marginalizados. Aquele que incorporou a paixão de Jesus sendo capaz de perceber a presença dos irmãos e irmãs”, ressalta Dom Vasconcelos. O momento foi iluminado com a palavra de Deus: “A morte sempre nos causa dor, sofrimento, angústia. Isso ocorre porque fomos criados para a vida. A morte foi vencida pela vida na pessoa de Jesus Cristo”, lembra Dom Vasconcelos. Impactado em um primeiro momento pela descoberta da doença, Pe. Mesquita desejou e lutou pela vida. “Continuaremos chorando, pois choramos a partida, a ausência, a saudade, mas nos alegramos naquele que venceu a morte e é símbolo da vida”, enfatiza o bispo. Emocionado, Dom Vasconcelos dirigiu o olhar ao caixão e clamou: “Que o Senhor te abra as portas do paraíso e, se possível, interceda por nós que continuaremos a missão”. Sepultamento No final da missa, familiares e amigos prestaram suas homenagens. O prefeito de Cariré, Elmo Roberto Belchior Aguiar, que não pôde estar presente, enviou seus agradecimentos ao “ser humano tão caridoso, amável e de muita fé que colaborou com a comunidade”. A PJMP (Pastoral da Juventude do Meio Popular) ressaltou o compromisso de Pe. Mesquita com a defesa da vida dos pobres. A família agradeceu ao povo de Deus o amor demonstrado com seu ente querido. E seu irmão no sacerdócio, Pe. João Batista Rodrigues Vasconcelos, ressaltou que ele “sempre será lembrado pelas suas qualidades humanas e espirituais”. Após a missa, o cortejo fúnebre seguiu para o cemitério São João Batista. Motos, carros e pessoas a pé acompanharam uma última vez o corpo do missionário tão estimado por àqueles que o conheceram. Dezenas de fiéis observaram Dom Vasconcelos abençoar uma derradeira vez o homem que tanto se dedicou e lutou para construir o Reino de Deus com igualdade. Fé engajada Segundo o coroinha Gabriel Domingues, 14 anos, que servira no altar por muitas vezes na companhia de Pe. Mesquita: “Ele era uma pessoa muito boa. Em momentos de tristezas, sempre consolava a gente. Ajudava-nos em várias coisas. Fazia muitas amizades”, lembra o acólito. Servindo na missa de despedida do sacerdote, Gabriel confessa que não irá esquecer seus ensinamentos: “A vida é de Deus, mas está presente em nossa alma. Nem tudo o que queremos Deus nos dá, mas coisas boas com certeza Deus nos dá”, enfatiza ele. Rafael Melo, membro do movimento Levante Popular da Juventude, 28 anos, conheceu Pe. Mesquita em meio a lutas sociais. “A gente sempre estava envolvido na questão da juventude; das cidades. Fomos para o Grito dos Excluídos: ele levou uma caravana aqui de Cariré. Sempre nos encontrávamos, conversávamos bastante. Era muito apoiador de nossas causas; a palavra dele nos identificava”, ressalta o jovem que considerava o sacerdote um exemplo de ser humano e fé engajada. Biografia Pe. Mesquita nasceu no dia 04 de julho de 1955. Filho de Antonio Aprígio de Mesquita e Maria da Anunciação de Sousa, foi batizado em Cariré um dia depois de nascer pelo Diácono Antônio Silveira Bastos. O pároco da época era o Revmo. Pe. João Batista Ribeiro. Iniciou seus estudos na escola pública Isolada com a professora Maria Augusta. Foi transferido para o Patronato “Cel. João Rodrigues dos Santos” que era coordenado pelas Irmãs Missionárias Reparadoras do Sagrado Coração de Jesus. Concluiu a 5ª série em 1966. No ano seguinte, começou o ginásio e tendo sido aprovado no colégio estadual Dom José Tupinambá da Frota em Sobral, concluiu o curso colegial em 1974. No mesmo ano, ingressou no Seminário Maior em Fortaleza, onde depois do vestibular iniciou o curso de Filosofia de dois anos e o curso de Teologia de quatro anos. Recebeu a sagrada ordem do diaconato em dezembro de 1979, na Catedral de Sobral, das mãos de Dom Walfrido Teixeira Vieira, bispo diocesano da época. No dia 13 de dezembro de 1981 foi ordenado presbítero pelas mãos do mesmo bispo na Igreja Matriz de Santo Antônio de Pádua, em Cariré, sua terra natal. Presidiu a primeira missa no mesmo dia e na mesma igreja às 19 horas. Foi vigário cooperador em Massapê entre os anos de 1982 à 1984. De dezembro de 1984 à dezembro de 1994 foi pároco de Frecheirinha; período em que continuou assistindo a paróquia de Massapê com apoio dos padres Raimundo Nonato Timbó de Paiva e João Batista Nery de Abreu. Entre os anos de 1995 a fevereiro de 2003 foi pároco de Massapê. De 2003 a 2008 foi pároco em Mucambo. Continuou sua missão em Sobral, na paróquia de Nossa Senhora do Patrocínio entre os anos de 2008 a 2013 e primeiro pároco da paróquia de São José no bairro do Sumaré, de 2014 a 2017. Entre os anos de 1981 a 1984 serviu como vice-reitor do Seminário Diocesano. Durante dez anos trabalhou como assessor da Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP) na diocese de Sobral. De 1981 a 1991 exerceu a função de acompanhante da Pastoral da Juventude e, em seguida, por necessidade, colocou-se a serviço das Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s). Em Massapê, lecionou no Colégio Maria do Carmo Carneiro e acompanhava pastoralmente e por meio de formações, o Colégio Adauto Bezerra. Foi membro do Colégio de Consultores da Diocese de Sobral. Seu pensamento pessoal: “Estou profundamente convicto de que Jesus Cristo tem de ser a paixão maior de nossas vidas, para que, com esta Igreja servidora e profética, fiel a ele, possamos construir um mundo de paz, de comunhão, como vislumbre do reino de Deus”. Fonte: UNGIDOS DO SENHOR NA EVANGELIZAÇÃO DO CEARÁ (1700 A 2004). Prof. Aureliano Diamantino Silveira. Tomo II. Pag. 205. Emoção Alexandre Oliveira Sousa, 26, afilhado de Pe. Mesquita O jovem, profundamente emocionado, que banhava o caixão com lágrimas era Alexandre Oliveira Sousa, de 26 anos, afilhado de batismo de Pe. Mesquita. “Foi a primeira pessoa com quem tive contato que lutava pelos mais pobres. Quando cresci, andei com ele em missões nas comunidades. Ele deixou um exemplo magnífico de integridade, de luta pelos pobres, dedicação a Deus e à família; um exemplo a seguir”, enfatizou o rapaz que mora em Frecheirinha; onde Pe. Mesquita foi pároco por dez anos. Fonte: Correio da Semana
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