Terça, 16 Outubro 2018 13:35

Eleições 2018: cristãos devem buscar o bem comum

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Todo cristão é cidadão, corresponsável pela pátria, pelo bem de todos e pela dignidade do ser humano A dignidade do ser humano e o bem comum devem ser a tônica das escolhas dos cristãos em especial durante as eleições. Assim, como cidadãos e como pessoas tementes a Deus, é preciso que busquem não apenas o interesse próprio, mas a vida em abundância para todos. “Todos os cristãos, católicos ou não, e todos os homens e mulheres tementes a Deus e de boa vontade devem buscar o que é fundamental, a dignidade do ser humano. Queremos o bem comum, a felicidade de todos e não o interesse próprio momentâneo”, explica o vigário geral da Diocese de Sobral, Monsenhor Gonçalo de Pinho Gomes. O vigário geral explica que é necessário entender a política como a arte de bem dirigir as coisas públicas. “Não podemos esquecer que todo cristão é cidadão, corresponsável pela pátria, pelo bem de todos. Precisamos entender a política como a arte de bem dirigir as coisas públicas”, avalia. O eleitor também precisa se posicionar como responsável pela nação, pelo bem público. “Ser eleitor é ser corresponsável por governar a nação. Como batizados, temos a função real de dirigir as coisas segundo a vontade de Deus.” Mesmo entre os não religiosos, o desejo pelo bem comum deve prevalecer, segundo Pe. Gonçalo. “As pessoas não se realizam individualmente, mas na comunidade. Por isso, mesmo entre os não-religiosos, o espírito do bem comum deverá prevalecer”, avalia. O voto precisa ser dado segundo a consciência. “É preciso votar de acordo com sua consciência e não votar por interesse, por simpatia, em quem vai ganhar”, ressalta. A democracia é, então, uma responsabilidade permanente de todos. “Não fazemos política partidária, mas damos uma orientação contínua e permanente para que as pessoas possam se posicionar”, avalia. Orientação A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em sua 56ª Assembleia Geral da CNBB falou ao povo brasileiro, além de ter lançado uma cartilha de orientação para as eleições. O compromisso político da Igreja é com a paz, a justiça e o bem comum. Por isso, fundamental é conhecer e avaliar as propostas e a vida dos candidatos, procurando identificar com clareza os interesses subjacentes a cada candidatura, segundo a mensagem da CNBB. “A campanha eleitoral torna-se, assim, oportunidade para os candidatos revelarem seu pensamento sobre o Brasil que queremos construir. Não merecem ser eleitos ou reeleitos candidatos que se rendem a uma economia que coloca o lucro acima de tudo e não assumem o bem comum como sua meta, nem os que propõem e defendem reformas que atentam contra a vida dos pobres e sua dignidade. São igualmente reprováveis candidaturas motivadas pela busca do foro privilegiado”, diz o texto. “Nas eleições, não se deve abrir mão de princípios éticos e de dispositivos legais, como o valor e a importância do voto, embora este não esgote o exercício da cidadania; o compromisso de acompanhar os eleitos e participar efetivamente da construção de um país justo, ético e igualitário; a lisura do processo eleitoral, fazendo valer as leis que o regem”, diz a mensagem da CNBB. Entre os dispositivos legais estão a Lei 9840/1999 de combate à corrupção eleitoral mediante a compra de votos e o uso da máquina administrativa, e a Lei 135/2010, conhecida como “Lei da Ficha Limpa”, que torna inelegível quem tenha sido condenado em decisão de órgão judicial colegiado. Cheia de esperança também é a mensagem da CNBB ao povo brasileiro. As eleições de 2018, segundo a instituição, devem garantir o fortalecimento da democracia e o exercício da cidadania da população brasileira. “É imperativo assegurar que as eleições sejam realizadas dentro dos princípios democráticos e éticos para que se restabeleçam a confiança e a esperança tão abaladas do povo brasileiro. O bem maior do País, para além de ideologias e interesses particulares, deve conduzir a consciência e o coração tanto de candidatos, quanto de eleitores. Incentivamos as comunidades eclesiais a assumirem, à luz do Evangelho, a dimensão política da fé, a serviço do Reino de Deus. Sem tirar os pés do duro chão da realidade, somos movidos pela esperança, que nos compromete com a superação de tudo o que aflige o povo. Alertamos para o cuidado com fake news, já presentes nesse período pré-eleitoral, com tendência a se proliferarem, em ocasião das eleições, causando graves prejuízos à democracia”. Fonte: Correio da Semana
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