Terça, 06 Fevereiro 2018 09:27

Igreja Católica lança a Campanha da Fraternidade de 2018

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A violência atingiu níveis tão alarmantes que o tema foi escolhido pela Igreja Católica para a Campanha da Fraternidade deste ano. Com o tema "Fraternidade e superação da violência" e o lema "Em Cristo somos todos irmãos", a Campanha da Fraternidade foi lançada nas paróquias e dioceses do Brasil. No domingo, 04, o evento ocorreu no Centro Arquidiocesano de Pastoral de Sorocaba, com a participação do arcebispo metropolitano de Sorocaba, Dom Julio Endi Akamine.

Dom Julio explicou que o lançamento da Campanha aconteceu neste sábado e sua abertura se dará na Quarta-feira de Cinzas, após o Carnaval. Segundo ele, o auge da Campanha acontece nos 40 dias entre a Quarta-feira de Cinzas e o Sábado de Aleluia, véspera do Domingo de Páscoa, mas ela é desenvolvida ao longo de todo o ano. Ontem, ele apresentou o texto-base da iniciativa e os subsídios que devem nortear o trabalho dos diversos grupos envolvidos nas ações dos paroquianos.

Em discurso aos fiéis que compareceram no Centro Arquidiocesano de Pastoral, Dom Julio afirmou que a nação como sociedade politicamente organizada tem que se amparar nos pilares de instauração da Justiça, promoção do bem comum e participação de todos.

Também abordou a frequente violência virtual existente nas redes socias com proliferação de fake news, mensagens deturpadas e manifestações de ódio entre pessoas. "As redes socias aproximam aqueles que estão longe e separam os que estão perto", comparou.

Reconhecendo que há comentários nas redes socias que são "terríveis", lembrou que quando isso acontece entre as pessoas, a situação de conflito passa do virtual para o real e um deleta o outro. E alertou: "Nas relações virtuais você pode deletar (pessoas), mas nas relações reais você pode deletar as pessoas?"

Justiça restaurativa

Dom Julio pregou a necessidade de a sociedade praticar a "justiça restaurativa", que inclui a punição de acordo com as leis mas que acrescenta a característica de aproximar o agressor da vítima. Nesse caso, explicou, a vítima tem a oportunidade de expressar a sua dor e o dano causado, e o agressor tem a chance de tomar consciência do prejuízo que provocou.

"Expressar a dor (da vítima), mas também chegar ao perdão", recomendou. Quanto ao agressor, avaliou, a consciência de que praticou um mal também causa dor e a expectativa é de que isso o estimula a restaurar de alguma forma o que fez: "Isso faz parte do processo de restaurar pessoas."

Desse modo, acrescentou, o agressor é visto "não somente como alguém a ser punido, mas alguém que restaura a sua dignidade, é isso o que supera a violência".

Ser fraterno

Confrontado com casos de violência como tiroteios, assaltos e massacres em penitenciárias, notadamente em regiões brasileiras como Ceará, Rio e São Paulo, Dom Julio declarou que esses fatos são a constatação "evidente" de que a violência tem crescido na sociedade. Ele afirmou que combater a violência não deve ser medida tomada somente com os tradicionais mecanismos das leis, das polícias, das punições, mas principalmente pela atitude de "viver a fraternidade" nas relações humanas.

E ter fraternidade, na sua análise, é "ver o outro como o irmão que tem dignidade e que deve ser respeitado". E decretou: "A violência não corresponde à verdade do ser humano."

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