Buscas por sobreviventes do prédio que desabou em Fortaleza chegam ao terceiro dia

As buscas por sobreviventes na área dos escombros do Edifício Andrea, prédio residencial de sete andares que desabou no Bairro Dionísio Torres, em Fortaleza, chegam ao terceiro dia seguido nesta quinta-feira (17). Bombeiros e socorristas ainda procuram sete pessoas que estão desaparecidas. Mais de 300 profissionais trabalham no local dos escombros do prédio.

Três mortes foram confirmadas pelo Corpo de Bombeiros. O último corpo localizado foi o de Izaura Marques Menezes, de 81 anos. A idosa é avó de Fernando Marques, de 20 anos, o primeiro sobrevivente resgatado do desastre. Izaura também é esposa de Vicente de Paula Vasconcelos de Menezes, de 87 anos, e mãe de Rosane Marques de Menezes, de 55 anos, que ainda estão desaparecidos.

“Num primeiro momento falamos de nove vítimas [resgatadas com vida]. É comum neste tipo de ocorrência de alta complexidade as informações, em um primeiro momento, se sobreporem. Ao termos mais tempo para analisar dados, nomes completos, percebemos que duas das pessoas resgatadas estavam em duplicidade, não por conta de óbito”, explicou o comandante dos bombeiros.

“Todas as pessoas que retiramos com vida permaneceram com vida. [Nos] números totais, temos sete resgatados com vida, três óbitos confirmados e sete pessoas sob os escombros. [Estamos] fazendo todo o possível para retirar com vida.”

A primeira morte foi confirmada no fim da noite de terça-feira (15). Frederick Santana dos Santos, de 30 anos, estava em um mercadinho que funcionava ao lado do prédio, que foi atingido pelos escombros. Já a segunda vítima sem vida foi confirmada no início da quarta. O corpo da mulher foi encontrado durante a madrugada, mas não havia sido identificado até a última atualização da matéria.

O que se sabe até agora
Edifício Andrea desabou às 10h28 desta terça-feira (15)
Até a última atualização desta reportagem, havia 3 mortos, 7 resgatados com vida e 7 desaparecidos
O prédio ficava no cruzamento na Rua Tibúrcio Cavalcante com Rua Tomás Acioli, a cerca de 3 quilômetros da Praia de Iracema, região turística da capital cearense
A prefeitura disse que a construção do prédio foi feita de maneira irregular e ele não existia oficialmente, mas o G1 localizou o registro do imóvel em um cartório da capital: a existência do edifício é conhecida desde 1982
Testemunhas contaram que o edifício estava em obras
Vídeo mostra que as colunas de sustentação estavam com situação precária

Desaparecidos e feridos
O número de desaparecidos caiu para sete, de acordo com o comandante. Durante a madrugada desta quinta, a equipe de resgate iniciou a retirada dos entulhos através de caminhões. Conforme o comandante dos Bombeiros, o trabalho segue sendo feito de maneira manual, sem previsão de utilização de maquinário pesado, exceto em situações específicas.

“Temos 125 bombeiros no local. Vamos operar todos os dias, de manhã, tarde e noite. Não diminuímos nosso efetivo. Todas as unidades do Corpo de Bombeiros do Ceará estão cumprindo seus expedientes na cena do desastre”, disse.

“A gente acredita que, sempre que tiver uma possibilidade de evitar o maquinário, para fazer uma busca com mais técnica, abrindo vias, para aumentar a possibilidade de vítimas vivas, a gente vai postergar o maquinário pesado. Isso não quer dizer que a gente não possa usar, como hoje, em casos pontuais. Vamos até o limite, até ter certeza que não tem mais como progredir só com ferramentas manuais”, ressaltou Holanda.
Veja quem são os sete feridos resgatados:
Fernando Marques, de 20 anos – foi o primeiro resgatado com vida dos escombros; deu entrada com ferimentos no Instituto Doutor José Frota (IJF), hospital público de Fortaleza

Antônia Peixoto Coelho, de 72 anos – estado de saúde considerado grave
Cleide Maria da Cruz Carvalho, de 60 anos – deu entrada no hospital com ferimentos no corpo, mas o quadro é estável
Davi Sampaio, de 22 anos – o estudante de arquitetura sofreu escoriações e foi levado à Otoclinica (clínica particular de Fortaleza); ele enviou uma selfie a familiares enquanto estava sob os escombros. O jovem recebeu alta hospitalar e foi liberado.
Gilson Gomes, de 53 anos – resgatado de um pequeno comércio ao lado do prédio
Francisco Rodrigues Alves, de 59 anos – porteiro e zelador do Edifício Andrea é visto correndo em um vídeo do momento do desabamento
João Ycaro Coelho de Menezes, 35 anos – ele é sobrinho da idosa Antônia Peixoto Coelho, 72 anos, também resgatada com vida. Ele foi hospitalizado e já teve alta.

Construção foi registrada em 1982
Segundo documento ao qual o G1 teve acesso, aponta que o edifício foi registrado em 6 de abril de 1982 pela Imobiliária Alpha, com 13 apartamentos em seis andares e uma cobertura.

O arquivo atesta a legalidade do imóvel, contradizendo informação inicialmente repassada pela Prefeitura, de que o prédio era irregular. O registro mostra uma matrícula para cada apartamento.

FONTE: G1

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